
Desisto ou Persisto

Depois de ontem a noite, pergunto-me como pode alguém sentir mares violentos e expressar um fino chuvisco de não molhar a roupa. Como consegue ser tornado e transparecer uma brisa suave, da ausência do vento que sopra, vinda do rosto próximo do seu. Só queria entender, se nele há campos verdes de perder a imensidão, o porquê das grades?
Talvez eu queira entender, não para compreendê-lo, quem sabe… Seja para dar sentido a minha ignorância ao olhá-lo e não enxergar um vulcão em erupção. De supor estar adormecido, que não queima, deduzir não estar apagado trás a tona a pergunta que me sufoca, que faz a brisa ser algo desejante, o chuvisco uma prece para um temporal. O porquê de não sentir o calor que suas palavras carregam?
Esse Iceberg não incomoda tanto, eu sei que baterei em algo duro, gelado e sem piedade alguma ao me ver afundade. Saber que o tocarei e serei tocade é a certeza de um cão que cava procurando o osso que escondeu, uma hora acaba achando.
Somente cavo pela fome e desejo de roer o osso. Já não sei se quero o osso, mas saber que está em algum lugar alimenta a curiosidade de achar, pois no fim será em vão, não sendo tanto quanto se eu tivesse procurado, desistido e continuado com fome.
De Emanuel Tuê da Silva Silvano.
afundade: afundado/afundada.
tocade: tocado/tocada.
Na: desavença, resistência, bloqueio.
A: representação do passado, recordação, lembrança e saudade.
An: perda de algo, desorientação, perdide.
Eu: Nó da alma.
Tu: Alma, existência de consciência. Vida.

Ao: Passado e Futuro, representação do presente.
Mu: Desejo, vontade, impulso, intenção.
Naaan: ação finalizada, ato de desvincular de um passado perdido.

Eutuaomu: repetir o presente, firmação do nó pela vontade do reencontro.
